Nietzsche, em seu Ecce Homo, lamenta que sua juventude o tenha induzido ao erro, quando usou no Nascimento da Tragédia, ou Helenismo e Pessimismo, uma linguagem acadêmica, já que era capaz, mesmo naqueles primeiros dias, de ter expressado as mesmas coisas na linguagem que lhes deveria ser própria: a poesia.
Também eu deveria seguir seu voto, e carregar aqui nas tintas estéticas, tornando bonito o que, na alma, é turvo. Mas não. Hoje acho que não é a beleza que vai salvar o mundo. Por isso às vezes sou prolixo.
Aventureiro, no entanto, deveria ser, porque pretendo, aqui, descortinar um mundo, era essa a proposta de origem: minha vida cultural. Fazer ver o quanto ela é bárbara, não só barbárie. Mas para isso é preciso uma nova linguagem.
A dificuldade é a seguinte, e também o que torna este lugar único: não se trata, aqui, de escrever bem, mas de ler. Se para comunicar o que leio, preciso escrever, reconheçamos nisso uma limitação do meio.
Convido meus poucos leitores a esta viagem: não por uma escrita bela, ou rebuscada, mas pela possibilidade de uma pausa para ler o mundo, pedaço por pedaço, claro, e talvez uma ou outra intuição mais breve.

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