Tendo dito tantas coisas anteriormente -- e remeto a então aqueles que buscam resposta a essa justificada pergunta -- resta-me apenas dizer que pretendo fazê-lo um semanário. Aqueles que já entraram em tais discussões comigo, e aqueles que dispõem naturalmente de uma afinidade rara com opiniões que, em tudo e por tudo, buscam afirmar-se pela diferença (no que não me diferencio de quase ninguém), esses sabem que tenho de um blogue a exigência de que seja feito com projeto, a despeito de sua aparente sucessão natural pela passagem dos dias. Se se remetem àquele outro, registro incansável de fases diversas de tempos mais atribulados, verificarão que, ali, encontro-me e não me encontro. Por isso projeto: onde há, divide-se o campo: de um lado o que projeta, de outro o projetado. A metáfora dessa verdade se apresenta ao lembrar-nos que é pela interface da tela que nos comunicamos. Do lado de cá, é evidente, guardo um instrumento a mais, o teclado, que anunciam, os arautos do apocalipse, cairá também em desuso.
De minha parte, aprendi a carregar comigo sempre um lápis, e embora minhas melhores ideias surjam sempre justamente onde não posso de jeito nenhum escrever, durante o banho, não deixo de anotá-las tão logo possa, e assim é possível programar, uma vez por semana, algumas coisas de algum valor para se dizer.
Deixe-se claro: valor para mim. Conto, no entanto, com seletos leitores que vençam o obstáculo da interface e possam, conforme prescrevia Norbert Wiener, em seu Cibernética, fornecer de volta material com que eu possa operar. O conceito de valor, por essa via, adquire significado completamente diverso, e positivo ou negativo já não tratam de aprovação ou concordância, mas da circunstância de produzir eco, ou sua ausência.

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